Desafios da maternidade: como mantive a minha identidade

Da decisão de me manter ativa durante a gravidez ao regresso aos treinos depois do nascimento: o que funcionou, o que custou e o que te digo com o coração.

No artigo anterior partilhei a parte mais reflexiva desta experiência: a transformação das prioridades, o instinto que nenhum livro substitui, a amamentação e os desafios da maternidade que raramente se falam em voz alta. Se ainda não leste, vale a pena começar por aí.

Neste artigo fico pela parte mais prática. O que fiz concretamente para não me perder no meio de todo o amor e de todas as responsabilidades que a maternidade traz. O que aprendi. E o que te digo com a distância e a clareza que o tempo nos dá.

A decisão de me manter ativa: antes e depois

Durante a gravidez mantive-me a trabalhar, a fazer a minha vida, a praticar desporto. Estive no ginásio até ao sexto mês, com treino devidamente adaptado à fase em que estava. Não foi fácil todos os dias, claro que não. Houve dias de cansaço, de desconforto, de vontade de ficar no sofá. Mas foi uma decisão que tomei de forma consciente e que hoje, olhando para trás, identifico como uma das que mais impacto teve na minha recuperação pós-parto.

Sei que este é um ponto sensível para muitas mães. Nem todas têm as mesmas condicionantes: físicas, emocionais, profissionais. O parceiro que cada uma tem ao lado, o acesso a ginásio ou espaço para se movimentar, as inseguranças de cada uma. São tantos os fatores que seria presunçoso generalizar. O que posso partilhar é a minha experiência: manter o movimento foi manter uma parte de mim que existia antes de ser mãe. E isso importou muito, mais do que antecipava.

Duas horas para mim não me tornaram uma mãe pior. Tornaram-me uma mãe mais presente em todas as outras horas.

O regresso aos treinos: a culpa que ninguém te avisa

Retomar os treinos depois do nascimento foi um marco. Aquelas duas horas de vez em quando só para mim, a suar, a desligar, a sentir o meu corpo. Mas no início não foi tão simples quanto parece, dito assim.

No início sentimos sempre que estamos a fazer falta noutro sítio. Àquela pessoa pequenina que acabou de chegar ao mundo e que parece precisar de nós em todos os momentos. Ou então sentimos que estamos a abusar de quem está a cuidar dele durante esse tempo. A culpa aparece antes de nos calçarmos. Aparece no caminho para o ginásio. Aparece no meio do treino.

Mas tudo isso está na nossa cabeça. Hoje sei. E tu também vais saber, quando deres esse passo e voltares para casa e perceberes que o teu filho está bem, que a pessoa que ficou com ele está bem, e que tu estás claramente melhor. Esse momento vale tudo.

A rede de suporte: o que tive e o que te desejo

Uma privilegiada que reconhece a sua sorte 🤍

Olhando para trás, sinto-me uma privilegiada por vários aspetos que se alinharam naquela fase. A minha rede de suporte foi incrível. O meu filho foi incrível. O meu mais que tudo foi incrível. E estávamos no Verão, o que me permitiu aproveitar ao máximo aquele período único apesar das dificuldades que foram surgindo pelo caminho.
Nem todas as mães têm esta sorte, e tenho plena consciência disso. Mas quero dizer-te isto com toda a convicção: pedir ajuda não é fraqueza. Aceitar suporte não é falhar. É exatamente o oposto. É ter a clareza de perceber que um bebé não precisa de uma mãe perfeita. Precisa de uma mãe bem. E uma mãe bem é aquela que sabe quando precisa de descansar, de pedir, de receber.

Se tens pessoas à tua volta dispostas a ajudar, deixa-as. Se não tens, procura criar essa rede: grupos de mães, apoio profissional, comunidades online onde te sintas ouvida. A solidão na maternidade é real e não precisas de a enfrentar sozinha.

5 dicas práticas para manteres a tua identidade no dia a dia

Com base em tudo o que vivi e aprendi, aqui ficam cinco coisas concretas que qualquer mãe pode começar a aplicar, independentemente da fase em que está.

Protege pelo menos um momento por semana que seja exclusivamente teu, sem culpa e sem negociação com ninguém, incluindo contigo própria.
Mantém uma atividade que existia antes de seres mãe, seja o desporto, uma hobby, um café com amigas, algo que te lembre quem és fora da maternidade.
Pede ajuda ativamente e aceita-a sem sentimento de dívida: deixar o teu filho com alguém de confiança por duas horas não é abandono, é saúde.
4º Fala sobre o que sentes, com o teu parceiro, com uma amiga, com quem te faça sentir ouvida e compreendida, sem julgamento e sem soluções forçadas.
5º Lembra-te regularmente de quem eras antes de seres mãe: os teus gostos, os teus sonhos, os teus valores continuam a ser teus e merecem continuar a existir.

Para as mães que estão a passar por isto agora

Uma mensagem de coração 🤍

Se estás a ler isto e a sentir que te perdeste algures no meio de fraldas, mamadas, noites sem dormir e de um amor que nunca soubeste que caberia dentro de ti, quero que saibas uma coisa: isso que estás a sentir é real, é válido e é partilhado por muitíssimas mães que parecem ter tudo sob controlo por fora.
A maternidade não tem de apagar quem és. As tuas prioridades vão mudar, o teu tempo vai ser distribuído de forma diferente, e haverá dias em que não te vais reconhecer. Isso é normal. Isso é humano. Isso é maternidade real.
Mas o teu EU continua lá. À espera de duas horas tuas por semana. À espera de um treino, de um café quente, de uma conversa sem interrupções. À espera de que te lembres que podes amar o teu filho com toda a intensidade do mundo e, ao mesmo tempo, não abrir mão de quem és.
Não precisas de ser perfeita. Precisas de ser tu. E isso é mais do que suficiente. 🤍💚

Nos próximos artigos desta categoria continuo a partilhar experiências e reflexões sobre maternidade, rotinas e tudo o que ninguém te conta antes de seres mãe. Fica por aqui. 🤍💚

Segue-nos também no instagram para não perderes por lá o que partilho também 👇👇

Carrega aqui para descobrires a página do Instagram 😊

Artigos semelhantes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *