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Como começar a investir em Portugal do zero

Uma história real de quem começou sem saber nada, com muito pouco, e foi construindo o caminho com consistência.

A minha história com o dinheiro começa muito antes de eu saber o que era um investimento. Começa na infância, a observar de perto o esforço e os sacrifícios que os meus pais faziam para garantir o suficiente. Vi o que custa ganhar dinheiro. Vi o que custa geri-lo com cuidado. E essa observação ficou gravada em mim de uma forma que moldou todas as decisões financeiras que tomei ao longo da vida.

Desde que me lembro que fui extremamente poupada. Não porque me tivessem ensinado uma regra ou uma técnica, mas porque internalizei uma lógica simples: se não tinha, não comprava. Se queria, juntava. E muitas vezes, quando já tinha o dinheiro reunido, pensava mais além e concluía que afinal não era assim tão necessário. Essa contenção natural foi o alicerce de tudo o que veio a seguir.

Nunca precisei que ninguém me dissesse para poupar. Precisei que alguém me mostrasse o que fazer com o que poupava.

Quando fui para a faculdade, abri a minha primeira conta bancária. Tecnicamente foi o primeiro passo financeiro que dei sozinha. E foi também aí que comecei, quase sem dar por isso, a perceber que o dinheiro parado não fazia nada por mim. Que havia formas, mesmo que modestas, de o fazer render um pouco mais. O depósito a prazo foi a primeira. Não era muito, mas via que, aos poucos, sem ter de fazer mais nada, ia chovendo uns pozinhos. E isso motivou-me. Motiva-me até hoje.

Para quem quer perceber como começar a investir em Portugal do zero, a minha história é a prova de que não é preciso ter muito capital nem conhecimento técnico para começar. É preciso começar. E é preciso ir ajustando o caminho às fases da vida.

Fase 1: O depósito a prazo: a primeira forma de ver o dinheiro crescer

O depósito a prazo foi o meu ponto de partida. É um produto bancário em que aplicas uma quantia durante um período fixo e, no final, recebes o capital mais os juros acordados. Simples, acessível, sem surpresas. Para quem está a começar e quer sentir o dinheiro a trabalhar pela primeira vez, é uma entrada natural.

Na altura em que comecei, a remuneração era baixa mas suficiente para me dar o impulso certo: ver crescer, mesmo que pouquinho, era motivador. Com o tempo, à medida que as fases da minha vida foram mudando, como a compra do primeiro carro, depois a casa, depois as necessidades da família, fui ajustando o esforço e os montantes. O depósito a prazo acompanhou-me nessas fases, mas foi também ficando pequeno para os meus objetivos.

Vantagens
✅Capital garantido até 100.000€ pelo Fundo de Garantia de Depósitos
✅Processo simples, disponível em qualquer banco ou app
✅Ideal para quem está a começar com segurança total

Desvantagens
❌Remuneração muito baixa, frequentemente abaixo da inflação
❌Capital imobilizado durante o prazo contratado
❌Penalizações em caso de levantamento antecipado

Fase 2: Os certificados de aforro e do tesouro: quando procurei mais sem arriscar

Foi a fraca remuneração do depósito a prazo que me fez procurar alternativas. E foi então que descobri os certificados de aforro e do tesouro, dois instrumentos de dívida pública emitidos pelo Estado português, acessíveis a qualquer pessoa através dos CTT ou do portal AforroNet, sem necessidade de intermediário bancário.

Os certificados de aforro são uma aplicação de poupança de médio prazo com capitalização automática dos juros. Os certificados do tesouro, por sua vez, têm prazos mais longos e taxas que crescem com o tempo de permanência, o que os torna interessantes para quem consegue manter o dinheiro aplicado durante mais anos. Em ambos os casos, o risco é soberano, ou seja, é o Estado português que garante o capital.

Hoje estes dois instrumentos são os que utilizo para o meu fundo de liberdade, aquilo a que muitos chamam fundo de emergência. Prefiro este nome porque traduz melhor o que representa: a liberdade de tomar decisões sem pressão, de aguentar um imprevisto sem ter de desfazer investimentos, de agir com calma quando a vida surpreende.

Vantagens
✅Garantidos pelo Estado português, risco muito reduzido
✅Remuneração superior ao depósito a prazo em períodos de taxas altas
✅Sem comissões bancárias, acessíveis com montantes pequenos

Desvantagens
❌Taxas variáveis, dependentes da política de juros em vigor
❌Subscrição menos intuitiva para quem não conhece o processo
❌Remuneração ainda limitada face a outras opções de investimento

O perfil de investidor: nem todos somos iguais, e está tudo bem

Conhece o teu perfil antes de avançares!

Há algo que considero essencial falar antes de continuar: nem todos temos o mesmo perfil de investidor, e isso não é uma fraqueza, é simplesmente uma realidade. Eu considero-me conservadora mas arriscada, como costumo dizer com um sorriso. O que isto significa na prática é que preciso primeiro de apalpar terreno, de estudar, de conhecer bem aquilo em que vou colocar o meu dinheiro antes de avançar.
Foi por isso que comecei pelos depósitos a prazo e pelos certificados. Não porque fossem os mais rentáveis, mas porque me davam a segurança de que precisava para aprender sem ansiedade. E só depois de me sentir verdadeiramente confortável é que comecei a explorar outras opções com maior potencial de retorno.
Conhecer o teu perfil é um dos primeiros passos de quem quer perceber como começar a investir em Portugal de forma sustentável. Não há perfil certo ou errado. Há o perfil que é teu, e há o caminho que faz sentido a partir daí.

Ao longo deste percurso fui aumentando e ajustando o esforço às diferentes fases da minha vida. Houve alturas em que poupava mais, alturas em que a prioridade era outra. Mas nunca parei completamente. E essa consistência, mesmo nas fases mais difíceis, foi o que fez a diferença ao longo do tempo.

Como começar a investir em Portugal do zero não é uma pergunta com uma única resposta. É um caminho que se constrói com consciência, com paciência e com a honestidade de perceber quem és e o que faz sentido para a tua vida. O meu caminho começou com um depósito a prazo numa conta jovem. Hoje passa por uma corretora e por dividendos mensais. Mas isso é conversa para outro dia.

Nos próximos artigos vou contar como dei finalmente o salto para além dos certificados: como estudei a bolsa de valores durante meses, como escolhi a minha corretora e como dei os primeiros passos com muito pouco capital. Fica por aqui. O melhor ainda está para vir. 🤍💚

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