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Investimento P2P em Portugal: o que é, plataformas, riscos e como enquadrar na tua estratégia

Antes de mais, quando se fala em investimento P2P, a primeira coisa que atrai é, sobretudo, o número: taxas de retorno que podem chegar a 10%, 12% ou até 15% ao ano, muito acima do que qualquer depósito a prazo ou certificado de aforro oferece. E esse número é real. O que também é real, e igualmente importante de compreender, é o risco que acompanha esse retorno.

🔎 Resposta rápida

📌 O que é P2P? Emprestar dinheiro diretamente a pessoas ou empresas, sem passar pelo banco.
📌 Qual o retorno típico? 6% a 7% em plataformas portuguesas, até 15% ou mais em estrangeiras.
📌 Qual o maior risco? Incumprimento do mutuário e risco da própria plataforma.

Uma experiência pessoal, com honestidade

Tenho investimentos em plataformas P2P e partilho aqui a minha experiência com honestidade. Mas, antes de chegar aí, começo pelo princípio: o que é, afinal, o investimento P2P, como funciona e o que deves saber antes de considerar esta opção para a tua carteira.

No investimento P2P, tu és o banco. E como qualquer banco sabe, emprestar dinheiro tem sempre o risco de não receber de volta.

O que é o investimento P2P?

Antes de mais, P2P significa Peer-to-Peer, ou seja, de pessoa para pessoa. O P2P lending é, assim, um modelo de financiamento direto entre indivíduos ou empresas e investidores, sem a necessidade de intermediários tradicionais como bancos. Em termos práticos: uma empresa ou pessoa precisa de financiamento, coloca um pedido de empréstimo numa plataforma P2P, e investidores como tu emprestam esse dinheiro em troca de juros.

1️⃣ Mutuário pede empréstimo na plataforma
2️⃣ Investidores financiam o empréstimo, total ou parcialmente
3️⃣ Mutuário paga capital e juros ao longo do prazo definido

Assim, a grande diferença face a um ETF ou a ações é que, aqui, não estás a comprar uma parte de uma empresa, estás, sim, a emprestar dinheiro. E, como em qualquer empréstimo, o risco principal é não receber de volta, parcial ou totalmente. As taxas de retorno nas principais plataformas registadas em Portugal chegam até aos 6% a 7% ao ano, mas, em plataformas estrangeiras, podem atingir até 15% por ano. Os juros recebidos são tributados a uma taxa de 28%.

Os riscos que não podes ignorar

⚠️ risco de incumprimento: o mutuário pode não pagar. É, de facto, o risco mais óbvio e mais frequente, e mesmo plataformas sólidas têm taxas de incumprimento que devem ser analisadas antes de investir.
⚠️ Risco da plataforma: a própria plataforma pode, de facto, encerrar ou falir. Já aconteceu com várias plataformas europeias. Escolher plataformas reguladas reduz, mas não elimina, este risco.
⚠️ Risco de liquidez: ao contrário de ações ou ETF, não consegues, assim, sair imediatamente, uma vez que o dinheiro está emprestado por um prazo definido. Alguns mercados secundários existem, mas nem sempre funcionam bem.
⚠️ Risco cambial: em plataformas estrangeiras com empréstimos noutras moedas, as oscilações do câmbio podem reduzir o retorno real.
⚠️ Risco de concentração: investir tudo numa única plataforma ou num único empréstimo amplifica o risco. A diversificação dentro e entre plataformas é, assim, essencial.

As plataformas que uso: a minha experiência

Antes de mais, tenho experiência direta com duas plataformas e partilho-a, assim, com honestidade. Não se trata de recomendação financeira: são experiências pessoais, e cada pessoa deve fazer a sua própria análise em função do seu perfil e disponibilidade emocional e financeira para assumir o risco de perda parcial ou total do capital.

GoParity · Regulada CMVM Portugal

Antes de mais, a GoParity é uma plataforma de crowdlending gerida pela Power Parity SA, com sede em Lisboa, licenciada pela CMVM ao abrigo do Regulamento Europeu de Crowdfunding. Distingue-se, sobretudo, por focar exclusivamente em projetos com impacto ambiental e social: energias renováveis, eficiência energética, agricultura sustentável e projetos com missão social.

A minha experiência é mista. A GoParity apresenta bastante informação sobre cada projeto, incluindo objetivos ambientais, estimativas de impacto e planos de amortização. Tenho tido vários incumprimentos nos pagamentos, o que é sempre desconfortável, mas noto, ainda assim, uma estrutura forte de proteção para quem investe: em caso de incumprimento prolongado do promotor, a GoParity ativa o seu protocolo de recuperação de créditos, encaminhando o processo para escritórios de advogados especializados, tendo sido possível, em alguns casos, recuperar parte ou a totalidade dos valores em dívida.

Caso queiras experimentar, deixo aqui o link para te registares, desde que o faças de forma consciente dos riscos acima enumerados: 👉 Registo GoParity. Ao registares-te pelo link, ganhas 20€ para adicionar ao primeiro investimento, e eu ganho o mesmo valor. As campanhas estão sempre a alterar, por isso pode estar outra em vigor no momento em que a usares, mas apoias este blog na mesma.

A minha perspetiva: uma plataforma com valores e missão que admiro. O risco de incumprimento é real, mas a estrutura de recuperação é séria. Invisto com consciência de que é a opção com maior impacto, mas também com mais variabilidade nos pagamentos.
ViaInvest · Regulada Letónia

Por sua vez, a ViaInvest é uma plataforma de empréstimos Peer-to-Peer baseada na Letónia, focada, principalmente, em empréstimos de curto prazo e linhas de crédito para consumidores. Está disponível para investidores portugueses e tem uma interface intuitiva com opção de reinvestimento automático dos valores recebidos.

De facto, a minha experiência na ViaInvest tem sido positiva e bastante diferente da GoParity. O valor vai acumulando, e, ao reinvestir os juros recebidos, tenho sentido um aumento real da rentabilidade. Por enquanto, não senti sinais vermelhos, mas sei que é uma questão de tempo até surgirem incumprimentos: é a natureza deste tipo de investimento, e é preciso estar preparada emocionalmente para isso.

A minha perspetiva: experiência fluida, rentabilidade consistente e reinvestimento automático eficiente. Acompanho de perto, mas com a consciência de que o risco existe e acontecerá.

Outras plataformas disponíveis no mercado

Além disso, existem muitas outras plataformas que podes explorar e analisar. Uma que muito se ouve ultimamente é a Scramble, mas não a experienciei, pelo que não posso opinar com base própria. A Scramble é uma das plataformas mais consolidadas para empréstimos P2P, fundada em 2020 em Tallinn, na Estónia, ligando investidores a pequenas empresas que precisam de financiamento. Conta com retornos médios de 16%, com o Grupo A a gerar retornos médios de 12% e o Grupo B com potencial superior.

PlataformaRegulaçãoFocoRetorno aprox.
GoParityCMVM PortugalImpacto ambiental/social6% a 7%
ViaInvestLetóniaCrédito ao consumoVariável
ScrambleNão reguladaFinanciamento a empresasAté 16%

No entanto, impõe-se uma nota importante sobre regulação: plataformas não reguladas, como a Scramble, não estão sob supervisão de autoridades financeiras, o que aumenta o risco para o investidor. Isso não significa, necessariamente, que sejam menos seguras na prática, mas significa que há menos proteção formal em caso de problemas. Cada investidor deve, assim, ponderar este fator na sua decisão.

Impostos: o que declarar no IRS

P2P e IRS em Portugal

Em Portugal, os juros recebidos de investimentos P2P são tributados a 28%. Plataformas não reguladas, como a Scramble, não efetuam retenção na fonte. Os juros de plataformas estrangeiras devem ser declarados no Anexo J do Modelo 3 do IRS, quadro 8A.

Plataformas reguladas na União Europeia podem, por sua vez, efetuar retenção na fonte nos seus países de origem. Nesse caso, declara os juros e o imposto retido no Anexo J com o código E11, para evitar dupla tributação. Para plataformas sem retenção, usa o código E10.

Guarda sempre os extratos anuais de cada plataforma com o detalhe dos juros recebidos, uma vez que são o documento base para a declaração, geralmente enviados também no relatório anual.

O P2P enquadrado na tua estratégia de investimento

Antes de mais, este é, de facto, o ponto mais importante de todo o artigo. O investimento P2P não deve ser o pilar central da tua estratégia de investimentos. É, antes, um complemento, uma forma de diversificação com retornos potencialmente mais elevados, mas com um perfil de risco muito diferente de um ETF ou de obrigações de qualidade.

Antes de mais, ✓ só depois de ter o fundo de liberdade constituído e as dívidas não saudáveis liquidadas. O P2P não é para capital de que possas precisar.
✓ Com uma percentagem limitada da carteira total, um valor que, se perdesses por completo, não comprometesse o teu plano financeiro.
✓ Diversificado, assim, entre plataformas e dentro de cada plataforma. Nunca concentres todo o capital P2P numa única plataforma ou projeto.
Mais três critérios a respeitar
✓ Com disponibilidade emocional para incumprimentos. Vão acontecer. Quem não consegue lidar com isso sem ansiedade não deve estar em P2P.
✓ Como complemento e não substituto de ETF, ações ou outros ativos mais líquidos e regulados.
✓ Com foco em plataformas reguladas na União Europeia sempre que possível, para maior proteção legal do investidor.

O investimento P2P em Portugal está, assim, a crescer, e há cada vez mais opções disponíveis. As taxas são atrativas, a acessibilidade é elevada, e o rendimento passivo gerado pode ser uma adição interessante a uma carteira diversificada. Mas o risco é real, é significativo, e deve ser assumido de forma consciente por quem tem o perfil e a estabilidade financeira para o fazer.

Assim, conhece as plataformas. Lê as estatísticas de incumprimento de cada uma. Começa com valores pequenos para entender o funcionamento antes de aumentar a exposição, e enquadra sempre o P2P dentro de um plano de investimentos bem definido. A mãe tem sempre de ter um Plano.

⚠️ Nota importante: este artigo reflete experiências pessoais e tem fins exclusivamente educativos. Não constitui recomendação financeira. O investimento em P2P comporta risco de perda parcial ou total do capital investido. Cada pessoa deve analisar as plataformas de forma independente e tomar decisões alinhadas com o seu perfil de risco e objetivos financeiros.
Nos próximos artigos vamos continuar a explorar algumas opções e produtos para que possas definir de que forma podem ser encaixados na tua estratégia.

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