Desafios da maternidade: o que ninguém te conta
Uma reflexão honesta sobre o que muda, o que fica e o que descobrimos sobre nós próprias quando nos tornamos mães.
Há momentos na vida que dividem o tempo no antes e no depois. O nascimento do meu filho é, sem qualquer dúvida, o maior desses momentos. Não apenas para mim, mas para toda a minha família. Uma daquelas experiências que transforma tudo ao seu redor de uma forma que nenhuma palavra consegue descrever com verdadeira precisão a quem ainda não a viveu.
Mas esta transformação começa muito antes do dia D. Começa na preparação, naquela fase em que o mundo inteiro parece girar à volta de uma barriga que cresce, de um quarto que se monta, de uma lista de coisas a preparar que nunca parece ter fim. E é nessa fase, gradual e quase imperceptível, que as prioridades se começam a redefinir. Não de forma abrupta. Não como uma perda. Mas como uma reorientação natural de tudo aquilo que importa.
“Nunca senti que a maternidade me fez perder a minha identidade”
O que senti foi que o foco se foi deslocando, primeiro para a preparação da chegada do bebé, depois para todos os cuidados e mimos que aquele pequeno ser merecia e exigia. E isso é completamente natural. O que não pode acontecer é esse deslocamento ser tão total que nos esqueçamos completamente de nós próprias no processo.
“Ser mãe não me fez perder quem eu sou. Fez-me descobrir uma versão de mim que eu ainda não conhecia.”
O que li, o que aprendi e o que a vida me ensinou mesmo assim
Na gravidez li tudo o que pude. Sou assim: preciso de estudar, de entender, de chegar o mais preparada possível a tudo o que é novo. E sobre maternidade há muito para ler. Li sobre praticamente tudo o que podes imaginar.
| 📖Desenvolvimento do bebé semana a semana durante a gravidez |
| 😴Rotinas de sono do bebé e métodos para as estabelecer |
| 🏥Parto: opções, plano de parto e o que esperar |
| 🏃Exercício físico durante a gravidez e recuperação pós-parto |
| 🤱Amamentação: benefícios, posições e como superar os desafios |
| 🍼Alimentação nos primeiros meses e introdução alimentar |
| 💆Saúde mental pós-parto e como reconhecer sinais de alerta |
E sabes o que aprendi com tudo isso? Que nenhum livro, nenhum artigo, nenhum podcast prepara verdadeiramente para o momento em que o teu filho chega ao mundo e olha para ti pela primeira vez. O instinto é que dita. O coração é quem manda. E isso não é fraqueza nem impreparação. É simplesmente a maternidade a acontecer da única forma que sabe: à sua maneira.
Acredito também que esta experiência é vivida de forma completamente diferente consoante se é mãe de primeira viagem, com todas as inseguranças e medos do desconhecido, ou já mãe de outras crias. Sou mãe de um, por isso sobre o segundo não posso opinar com experiência própria. O que sei é que segui sempre o meu instinto, procurei fazer sempre o melhor que podia e sabia. E isso, no final, é tudo o que qualquer mãe pode fazer.
A amamentação, o país que ainda não está pronto e a paz que precisamos
| Uma verdade que raramente se fala A amamentação foi um dos maiores desafios desta fase, não pelo processo em si, mas pelo conciliar com as rotinas, os horários e os sítios por onde passava. Continuamos a viver num país que não está devidamente ajustado a esta realidade. Poucos são os espaços verdadeiramente preparados para estes momentos tão íntimos. Quem, como eu, valoriza a privacidade, o sossego e a paz durante esses momentos acaba por sentir isso como uma limitação real às rotinas. Adaptei-me, como nos adaptamos sempre. Mas interferiu, e acho importante dizê-lo com honestidade. Porque a maternidade real tem estes detalhes que raramente aparecem nas fotografias perfeitas das redes sociais. |
Os pais precisam de estar bem para o bebé se sentir bem
Chegamos ao ponto que considero mais importante de tudo o que partilhei até aqui. Os pais precisam de estar bem para a criança se sentir bem. Parece óbvio dito assim, mas invertemos esta lógica com uma frequência inacreditável. Toda a ansiedade, toda a exaustão não gerida, todas as inseguranças não trabalhadas passam para o bebé. E para a pessoa que está ao nosso lado.
Há uma enorme pressão social sobre as mães para serem perfeitas, para darem tudo, para não precisarem de nada para si. E essa pressão é, muitas vezes, a maior inimiga da maternidade saudável. Uma mãe que cuida de si não é egoísta. É sábia.
O que aprendi é que a identidade não se perde na maternidade. Às vezes esconde-se, pede pausa, precisa de espaço. Mas está sempre lá, à espera de duas horas tuas, de um treino, de uma conversa que não gire à volta de fraldas ou horários. À espera de que te lembres que és muito mais do que a melhor mãe do mundo. És também tu. E isso merece ser protegido todos os dias.
| No artigo seguinte contarei como, na prática, consegui manter-me eu própria ao longo deste processo: os treinos, a rede de suporte, o regresso à rotina e as cinco coisas concretas que qualquer mãe pode começar a fazer ainda hoje. |
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