Devo criar ou não Fundo de Emergência?
Eu chamo-lhe Fundo para a Liberdade. E esta diferença de nome diz tudo sobre a forma como o encaro.
Há conceitos financeiros que existem há décadas mas que só fazem verdadeiro sentido quando os vivemos. O fundo de emergência é um deles. Mas, afinal o fundo de emergência: o que é e porque deves criar o teu antes de investir? Na teoria, toda a gente sabe que é importante ter uma almofada financeira para imprevistos. Na prática, poucas pessoas o constroem de forma consciente e com um propósito claro antes de avançarem para os investimentos.
Eu nunca tive um momento específico em que decidi criar este fundo. Não me sentei, não abri uma folha de cálculo e não disse para mim própria “hoje começo o meu fundo de emergência.” A verdade é que sempre tive a preocupação de ter algum montante de parte para qualquer eventualidade. Essa mentalidade foi crescendo comigo, adaptando-se às fases da vida e ganhando um nome e uma forma mais definida com o passar do tempo.
Porquê Fundo para a Liberdade?
Hoje chamo-lhe Fundo para a Liberdade. Porque é exatamente isso que representa: a liberdade de escolha. A liberdade de tomar decisões sem pressão, de aguentar o inesperado sem comprometer o dia a dia da família, de dormir tranquila sabendo que há uma rede de segurança. E se há uma coisa que aprendi ao longo deste percurso é que o fundo de emergência não é apenas uma questão financeira. É, acima de tudo, uma questão de paz de espírito.
O critério mais importante em todas as decisões financeiras que tomei foi sempre o mesmo: consigo dormir de noite com esta decisão?
As fases que vivi e como o fundo foi evoluindo
A construção do meu Fundo para a Liberdade não foi linear. Passou por fases muito diferentes, como a vida de qualquer pessoa. Quando era solteira e sem grandes responsabilidades, o valor foi crescendo naturalmente porque poupava muito e ainda não tinha mentalidade de investimento. Depois do nascimento do meu filho, a necessidade de segurança tornou este fundo essencial. As minhas decisões passaram a ter outro impacto e as responsabilidades financeiras aumentaram consideravelmente.
Com a compra da casa, o rombo aconteceu, mas sempre de forma controlada e consciente porque comigo não poderia ser de outra forma. Hoje mantém-se estável e sempre que senti necessidade de recorrer ao mesmo, por algum motivo, foi imediatamente reposto. Independentemente da fase que vivi, foi essencial para a minha cabeça e para as minhas decisões saber que ele lá estava.
| Para as mães que vivem mês a mês 🤍 Habitam em mim duas pessoas quando penso neste percurso. Uma que se considera sortuda por ter tido a possibilidade de ir construindo esta poupança. E uma outra que sabe bem que este caminho foi construído com base em muitas escolhas e em abdicar de muitas coisas. Calculo que seja a isso que chamamos prioridades. Muitas são as mães que vivem no aperto, sem conseguir sair da roda do rato. Mas vão ser capazes, não duvidem disso. Se já estão a ler isto é porque já deram o primeiro passo. E para essas, uma dose extra de motivação: sei que serão capazes. Comecem pelo que puderem. Cinco euros por mês já são cinco euros que não estavam. |
Quanto deves ter no fundo de emergência?
Esta é uma das perguntas mais frequentes sobre o fundo de emergência e, honestamente, não há uma resposta única. Depende muito de cada pessoa, da sua situação familiar, do nível de despesas mensais e do conforto emocional que cada um precisa de sentir. O mais importante é que cada pessoa se sinta confortável com o valor que tem.

Atualmente considero essencial ter pelo menos o equivalente a 4 salários. Com o tempo tenciono aumentar gradualmente para os 6 meses, mas sem pressa. Haverá quem precise apenas de 3 meses para dormir tranquilo, e haverá quem precise de um ano inteiro. Respeitem o que o vosso coração e, sobretudo, a vossa cabeça sentirem. Esse é sempre o critério mais importante.
As 4 regras do meu Fundo para a Liberdade
- Deve ser de fácil acesso. Em caso de necessidade real, o dinheiro tem de estar disponível rapidamente, sem burocracia nem penalizações.
- Deve ser seguro. Não é para arriscar. A função deste fundo é proteger, não rentabilizar ao máximo.
- Deve render alguma coisa. Não esperamos rentabilidades extraordinárias, mas não deve estar completamente parado sem qualquer retorno.
- Deve ser reposto imediatamente. Sempre que for utilizado, a reposição deve ser a prioridade seguinte. O fundo de emergência só funciona se existir.
Onde guardar o fundo de emergência em Portugal?
Com estas quatro regras em mente, a escolha do local onde guardar o fundo de emergência fica muito mais simples. A minha solução divide-se em dois: um montante principal nos certificados de aforro e um valor mais pequeno e imediatamente acessível numa conta remunerada para imprevistos do quotidiano.
| Certificados de Aforro Onde guardo o valor principal do fundo. Garantidos pelo Estado português, com remuneração indexada à Euribor. Cumprem todos os critérios que defini: seguros, acessíveis e com alguma rentabilidade. | Trade Republic Onde guardo cerca de meio salário para imprevistos diários: uma avaria no carro, uma conta inesperada. Uso há mais de um ano e estou muito satisfeita com esta escolha. |
| – Garantia do Estado português – Remuneração competitiva e automática – Resgate disponível sem penalização após 3 meses – Subscrição simples via AforroNet | – Conta remunerada muito acima do banco – Acesso imediato ao dinheiro – Interface simples e intuitiva – Muito mais interessante que depósito a prazo |
Para os certificados de aforro, as taxas variam em função da Euribor e estão sujeitas a alterações. Recomendo consultar sempre a informação oficial e atualizada em igcp.pt. Para a Trade Republic, quem quiser criar conta pode fazê-lo de forma muito rápida e simples. Mas lembrem-se sempre: escolham o que fizer mais sentido para vocês. O mais importante é que o valor esteja acessível quando precisarem (disponibilizo o link caso queiram registar-se na Trade Republic para começarem a receber uns pozinhos)
FE: sim ou não?
O fundo de emergência não é glamoroso nem é o produto que vai fazer crescer o vosso património de forma expressiva. Mas é a base que torna tudo o resto possível. É o que permite investir com calma, sem o medo de precisar de resgatar em mau momento. É o que vos dá a liberdade de tomar decisões financeiras a partir de um lugar de segurança e não de pressão.
Chame-lhe fundo de emergência, fundo de liberdade ou almofada financeira. O nome não importa. O que importa é que exista. E que exista antes de avançar para qualquer tipo de investimento. O mais importante será sempre termos um Plano. 🤍
| No próximo artigo exploro a diferença entre poupar e investir, e ajudo-te a identificar o teu perfil de investidor antes de dares qualquer passo. 🤍💚 |
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