Devo criar ou não Fundo de Emergência?
O fundo de emergência é um dos conceitos financeiros mais antigos, mas só faz verdadeiro sentido quando o vivemos. Na teoria, toda a gente sabe que é importante ter uma almofada financeira para imprevistos, no entanto, na prática, poucas pessoas o constroem de forma consciente e com um propósito claro antes de avançarem para os investimentos. Assim sendo, este artigo explica como o meu próprio fundo foi crescendo e as regras que sigo até hoje.
📌 Quanto devo ter no fundo? Entre 3 a 12 meses de despesas, consoante o teu nível de conforto.
📌 Onde guardar? Numa combinação de certificados de aforro e conta remunerada de fácil acesso.
📌 Antes ou depois de investir? Sempre antes, é a base que torna tudo o resto possível.
Porque lhe chamo Fundo para a Liberdade
Eu chamo-lhe Fundo para a Liberdade, e esta diferença de nome diz, desde logo, tudo sobre a forma como o encaro. Nunca tive, de facto, um momento específico em que decidi criar este fundo. Não me sentei, não abri uma folha de cálculo e não disse para mim própria “hoje começo o meu fundo de emergência”. A verdade é que sempre tive a preocupação de ter algum montante de parte para qualquer eventualidade.
Essa mentalidade foi crescendo comigo, adaptando-se às fases da vida e ganhando, assim, um nome e uma forma mais definida com o passar do tempo. Hoje chamo-lhe Fundo para a Liberdade porque é exatamente isso que representa: a liberdade de escolha. É, sobretudo, a liberdade de tomar decisões sem pressão, de aguentar o inesperado sem comprometer o dia a dia da família e, ainda assim, de dormir tranquila sabendo que há uma rede de segurança.
O critério mais importante em todas as decisões financeiras que tomei foi sempre o mesmo: consigo dormir de noite com esta decisão?
E se há uma coisa que aprendi ao longo deste percurso é que o fundo de emergência não é apenas uma questão financeira. É, acima de tudo, uma questão de paz de espírito.
As fases que vivi e como o fundo foi evoluindo
A construção do meu Fundo para a Liberdade não foi linear, passou, aliás, por fases muito diferentes, como a vida de qualquer pessoa. Quando era solteira e sem grandes responsabilidades, o valor foi crescendo naturalmente porque poupava muito e ainda não tinha mentalidade de investimento. Depois do nascimento do meu filho, no entanto, a necessidade de segurança tornou este fundo essencial, uma vez que as minhas decisões passaram a ter outro impacto e as responsabilidades financeiras aumentaram consideravelmente.
Com a compra da casa, o rombo aconteceu, mas sempre de forma controlada e consciente, porque comigo não poderia ser de outra forma. Hoje mantém-se estável e, sempre que senti necessidade de recorrer ao mesmo por algum motivo, foi imediatamente reposto. Independentemente da fase que vivi, foi essencial, sobretudo, para a minha cabeça e para as minhas decisões saber que ele lá estava.
Habitam em mim duas pessoas quando penso neste percurso. Uma que se considera sortuda por ter tido a possibilidade de ir construindo esta poupança, e outra que sabe bem que este caminho foi construído com base em muitas escolhas e em abdicar de muitas coisas. Calculo que seja a isso que chamamos prioridades.
Muitas são as mães que vivem no aperto, sem conseguir sair da roda do rato. Mas vão ser capazes, não duvidem disso. Se já estão a ler isto é porque já deram o primeiro passo. Comecem pelo que puderem: cinco euros por mês já são cinco euros que não estavam.
Quanto deves ter no fundo de emergência?
Esta é uma das perguntas mais frequentes sobre o fundo de emergência e, honestamente, não há uma resposta única. Depende, sobretudo, de cada pessoa, da sua situação familiar, do nível de despesas mensais e do conforto emocional que cada um precisa de sentir. O mais importante é que cada pessoa se sinta confortável com o valor que tem.
Atualmente considero essencial ter pelo menos o equivalente a 4 salários. Com o tempo, tenciono aumentar gradualmente para os 6 meses, mas sem pressa. Haverá, no entanto, quem precise apenas de 3 meses para dormir tranquilo, e haverá quem precise de um ano inteiro. Respeitem o que o vosso coração e, sobretudo, a vossa cabeça sentirem, esse é sempre o critério mais importante.
As 4 regras do meu Fundo para a Liberdade
| 1. Deve ser de fácil acesso. Em caso de necessidade real, o dinheiro tem de estar disponível rapidamente, sem burocracia nem penalizações. |
| 2. Deve ser seguro. Não é para arriscar, uma vez que a função deste fundo é proteger, não rentabilizar ao máximo. |
| 3. Deve render alguma coisa. Não esperamos rentabilidades extraordinárias, mas não deve estar completamente parado sem qualquer retorno. |
| 4. Deve ser reposto imediatamente. Sempre que for utilizado, a reposição deve ser a prioridade seguinte, uma vez que o fundo de emergência só funciona se existir. |
Onde guardar o fundo de emergência em Portugal?
Com estas quatro regras em mente, a escolha do local onde guardar o fundo de emergência fica, assim, muito mais simples. Por isso, a minha solução divide-se em dois: um montante principal nos certificados de aforro e um valor mais pequeno e imediatamente acessível numa conta remunerada para imprevistos do quotidiano.
| Certificados de Aforro | Trade Republic |
|---|---|
| Onde guardo o valor principal do fundo. Garantidos pelo Estado português, com remuneração indexada à Euribor. Cumprem, desta forma, todos os critérios que defini: seguros, acessíveis e com alguma rentabilidade. | Onde guardo cerca de meio salário para imprevistos diários, como uma avaria no carro ou uma conta inesperada. Uso há mais de um ano e estou muito satisfeita com esta escolha. |
| Garantia do Estado português Remuneração competitiva e automática Resgate disponível sem penalização após 3 meses Subscrição simples via AforroNet | Conta remunerada muito acima do banco Acesso imediato ao dinheiro Interface simples e intuitiva Muito mais interessante que depósito a prazo |
Para os certificados de aforro, as taxas variam em função da Euribor e estão sujeitas a alterações, por isso recomendo consultar sempre a informação oficial e atualizada em igcp.pt. Para a Trade Republic, quem quiser criar conta pode fazê-lo de forma muito rápida e simples através deste link de registo, que também apoia este blog. Ainda assim, lembrem-se sempre: escolham o que fizer mais sentido para vocês. O mais importante é que o valor esteja acessível quando precisarem.
| ⚠️ Nota importante: este artigo reflete experiência pessoal e não substitui aconselhamento financeiro profissional. Não sou consultora financeira certificada, por isso, para decisões mais complexas, vale sempre a pena procurar um profissional qualificado. |
FE: sim ou não?
O fundo de emergência não é glamoroso nem é o produto que vai fazer crescer o vosso património de forma expressiva. Contudo, é a base que torna tudo o resto possível. É o que permite investir com calma, sem o medo de precisar de resgatar em mau momento, e é, sobretudo, o que vos dá a liberdade de tomar decisões financeiras a partir de um lugar de segurança e não de pressão.
Chamem-lhe fundo de emergência, fundo de liberdade ou almofada financeira, o nome não importa. O que importa, de facto, é que exista, e que exista antes de avançar para qualquer tipo de investimento. Para dar esse próximo passo, o artigo sobre poupar ou investir ajuda a perceber quando faz sentido avançar. O mais importante será sempre termos um Plano.
Assim sendo, se ainda não começaste o teu, o convite é simples: não esperes pelo momento perfeito, porque ele raramente chega. Começa com o que puderes, ainda que seja um valor pequeno, e ajusta ao longo do caminho. Por outro lado, se já tens um fundo constituído, aproveita para rever se ainda cumpre as quatro regras que partilhei, uma vez que as circunstâncias da vida mudam e o fundo deve acompanhar essa evolução.
| No próximo artigo exploro a diferença entre poupar e investir, e ajudo-te a identificar o teu perfil de investidor antes de dares qualquer passo, porque a mãe tem sempre de ter um Plano. |
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